O diagnóstico precoce é um dos principais fatores para aumentar as chances de cura do câncer infantil. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), os tumores pediátricos representam cerca de 1% a 3% de todos os cânceres no Brasil, e quando identificados nas fases iniciais, as taxas de cura podem ultrapassar 80%.
Apesar de ser considerado raro, o câncer infantil ainda é uma das principais causas de morte por doença na infância, o que reforça a importância da atenção aos sinais clínicos e do acompanhamento médico regular desde os primeiros anos de vida.
A importância de identificar cedo
De acordo com o oncologista pediátrico Dr. Afonso Pereira, identificar a doença precocemente faz toda a diferença no sucesso do tratamento. “No câncer, o diagnóstico precoce é essencial. Quanto antes conseguimos identificar a doença, maiores são as chances de iniciar o tratamento no tempo certo e alcançar a cura”, explica.
Diferente do câncer em adultos, que muitas vezes evolui de forma lenta, os tumores em crianças e adolescentes costumam ter progressão mais rápida e agressiva, exigindo atenção imediata a qualquer sinal fora do padrão.
Check-up infantil: um aliado silencioso
Embora não existam exames de rastreamento específicos para câncer infantil, como ocorre em alguns tipos de câncer em adultos, o acompanhamento clínico regular é considerado o principal aliado para o diagnóstico precoce.
“O diferencial da criança é que ela costuma ir ao médico com mais frequência, especialmente nos primeiros anos de vida. Isso facilita a observação de sinais clínicos, alterações em exames e mudanças no comportamento”, destaca o especialista.
Sintomas persistentes, como palidez, cansaço excessivo, febre prolongada, dores ósseas, aumento de gânglios, alterações neurológicas ou manchas incomuns nos olhos e na pele devem ser investigados com atenção.
Campanhas de conscientização salvam vidas
Nos últimos anos, campanhas educativas têm ganhado espaço no Brasil para alertar pais, cuidadores e profissionais de saúde sobre os sinais do câncer infantil. Iniciativas como o Setembro Dourado, voltado à conscientização sobre o câncer infantojuvenil, e campanhas específicas para leucemias, tumores do sistema nervoso central e retinoblastoma têm contribuído para diagnósticos mais precoces.
“O tempo, na oncologia pediátrica, é determinante. Diagnosticar cedo pode significar a diferença entre sucesso e insucesso no tratamento”, reforça o médico.
Avanços no tratamento e maior acesso no Brasil
O tratamento do câncer infantil evoluiu significativamente nas últimas décadas. Atualmente, ele se baseia em três pilares principais: quimioterapia, cirurgia e radioterapia, com abordagens cada vez mais precisas e menos agressivas.
Além disso, novas terapias, como imunoterapia e medicamentos alvo, vêm ampliando as possibilidades de tratamento, inclusive para crianças. Técnicas cirúrgicas mais modernas e radioterapias mais focadas também contribuem para melhores resultados e menos efeitos colaterais.
Outro avanço importante é a ampliação do acesso aos centros de oncologia pediátrica em diversas regiões do país. Hoje, o Brasil conta com unidades especializadas em todas as regiões, o que reduz o tempo entre o diagnóstico e o início do tratamento.
Informação e vigilância são fundamentais
Para o Dr. Afonso Pereira, o caminho para reduzir a mortalidade do câncer infantil passa, sobretudo, pela informação. “É fundamental que pais, profissionais de saúde e a sociedade estejam atentos. Pensar no diagnóstico, investigar e descartar é sempre melhor do que não considerar a possibilidade”, afirma.
O diagnóstico precoce salva vidas. E, no caso do câncer infantil, ele começa com atenção, acompanhamento médico regular e acesso à informação de qualidade.
Dr. Afonso Pereira é médico oncologista pediátrico, formado pelo Hospital da Baleia (BH) e atuante no Mato Grosso. Integra as redes ONCOLOG Cuiabá, ONCOPLUS e ONCOPRIME, levando atendimento especializado a crianças e adolescentes. É diretor do Hospital das Clínicas Primavera (MT) e referência no cuidado humanizado e integral aos pacientes oncológicos.
Fonte: Dr. Afonso Pereira | @drafonso.oncoped