Em meio à rotina agitada das famílias, é comum surgirem dúvidas sobre a frequência ideal das consultas pediátricas. Muitos pais se questionam: “Será que estou levando meu filho ao pediatra com a regularidade necessária?” Para esclarecer essa e outras questões, conversamos com a Dra. Fernanda Lago, médica pediatra com ampla experiência em desenvolvimento infantil e acompanhamento contínuo de crianças.
Segundo a Dra. Fernanda, as consultas pediátricas não devem ser vistas apenas como momentos para tratar doenças, mas como oportunidades valiosas para acompanhar o crescimento e o desenvolvimento da criança. “O acompanhamento regular permite identificar precocemente qualquer alteração no desenvolvimento físico, emocional ou cognitivo da criança, além de orientar os pais sobre alimentação, vacinação e outros cuidados essenciais”, destaca.
A Dra. Fernanda Lago orienta que a frequência das consultas pediátricas varia conforme a idade da criança e é fundamental para garantir um desenvolvimento saudável. De acordo com as orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), no primeiro ano de vida são recomendadas de 7 a 9 consultas, realizadas aos 5 a 7 dias de vida, e depois aos 1, 2, 4, 6, 9 e 12 meses. Entre 1 e 2 anos, o ideal é que as consultas ocorram a cada 2 a 3 meses, totalizando de 3 a 4 atendimentos ao ano. Dos 2 aos 5 anos, as visitas passam a ser semestrais, com duas consultas por ano. A partir dos 5 anos até os 19, a recomendação é de uma consulta anual, salvo em casos que exijam acompanhamento mais próximo.
Essas consultas de rotina são essenciais para acompanhar o crescimento, o desenvolvimento, a vacinação, a alimentação e o comportamento da criança, além de prevenir e detectar precocemente possíveis problemas de saúde. Como destaca a Dra. Fernanda Lago, “essas visitas são fundamentais para orientar os pais e garantir que a criança esteja se desenvolvendo de forma adequada.
Sinais de alerta entre as consultas
Mesmo com um cronograma de consultas bem definido, é fundamental que os pais estejam atentos a sinais que possam indicar a necessidade de antecipar uma visita ao pediatra. Situações como febre persistente, alterações no apetite ou no sono, comportamentos incomuns ou qualquer regressão no desenvolvimento, além de dúvidas relacionadas à vacinação ou alimentação, devem ser levadas a sério. “Os pais são os maiores observadores de seus filhos. Ao notar qualquer mudança significativa, é essencial procurar orientação médica”, enfatiza a Dra. Fernanda.
Além de cuidar da saúde física da criança, o pediatra desempenha um papel crucial na orientação dos pais. “Durante as consultas, discutimos diversos aspectos, desde a introdução alimentar até questões comportamentais, sempre buscando apoiar a família na criação de um ambiente saudável e estimulante para a criança”, explica a Dra. Fernanda.
Manter um acompanhamento pediátrico regular é essencial para promover o bem-estar e o desenvolvimento saudável das crianças. A Dra. Fernanda Lago reforça que, mais do que tratar doenças, o pediatra é um parceiro das famílias na jornada de crescimento dos pequenos. “Estar presente em cada fase da vida da criança nos permite construir uma base sólida para um futuro saudável e feliz”, conclui.
A Dra. Fernanda realiza atendimentos presenciais e também oferece consultas por telemedicina, garantindo praticidade e cuidado mesmo à distância. Para mais conteúdos sobre saúde infantil, acompanhe o Instagram: @dra.fernandalago.
Médico dermatologista Dr. Lourenço Azevedo alerta população que diagnóstico atrasado pode transformar procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa da doença
Os recordes históricos das altas temperaturas registradas, no último mês de dezembro, marcaram o início da estação climática mais aguardada pelos brasileiros: o verão. Os registros iniciais confirmam que os termômetros ficarão aquecidos até o até o início do outono, ou seja, período que deve ser mantido o alerta para os cuidados à prevenção do câncer de pele, enfermidade que segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia representa aproximadamente 30% de todos os diagnósticos oncológicos, com mais de 220 mil novos casos anuais.
O uso diário de protetor solar, a reaplicação ao longo do dia, o emprego de barreiras físicas — como chapéus e roupas com proteção ultravioleta — e a evitação da exposição solar entre 10h e 16h seguem sendo medidas essenciais, sobretudo em um período marcado visitação de praias, a utilização de piscinas, a prática de esportes ao ar livre e o lazer sob o sol, quando a incidência dos raios ultravioleta é mais intensa e constante.
De acordo com o médico dermatologista e tricologista. Dr. Lourenço Azevedo (CRM 166292/SP), no Brasil, os registros que indicam câncer de pele apontam para três tipos da enfermidade: Carcinoma basocelular (CBC), Carcinoma espinocelular (CEC) e o Melanoma. O especialista destaca que o CBC é o tipo mais frequente entre os brasileiros e costuma surgir em áreas muito expostas ao sol, como rosto, orelhas e pescoço.
“Trata-se de um câncer que geralmente cresce devagar e tem baixo potencial de metástase, mas pode causar grandes deformidades locais caso não seja tratado a tempo. Muitas vezes aparece como uma “feridinha que não cicatriza”, uma pápula brilhante ou rosada”, destaca. “Já o CEC tem o risco maior de invadir tecidos profundos e, em alguns casos, de se espalhar para linfonodos. Lesões endurecidas, avermelhadas, com crosta ou que sangram com facilidade merecem atenção”, acrescenta.
Em relação ao tipo Melanoma, o médico alerta que é o tumor mais grave da pele, sendo que responde pela maior parte das mortes. “Ele pode aparecer como um novo sinal ou como uma mudança em uma pinta já existente. Assimetria, bordas irregulares, mudança de cor, diâmetro maior que 6 mm e evolução rápida são sinais de alerta. O diagnóstico precoce faz toda a diferença — quando descoberto no início, as taxas de cura são muito altas”, explica o Dr. Lourenço Azevedo.
Embora o sol seja o principal agente causador de um câncer de pele, outros fatores também aumentam o risco. O especialista destaca que é importante ter conhecimento sobre o histórico familiar ao melanoma, cuidados redobrados às pessoas de pele clara, olhos claros, cabelo ruivo ou loiro, que queimam com facilidade, a presença de muitas pintas ou nevos atípicos, entre outros alertas.
“A consulta dermatológica é fundamental, porquê muitos cânceres de pele passam despercebidos pelo paciente nos estágios iniciais, período quando a chance de cura é maior. O dermatologista faz o chamado exame de corpo inteiro, identifica lesões suspeitas, acompanha pintas e orienta medidas preventivas personalizadas. Além disso, pode realizar a dermatoscopia, que aumenta muito a precisão do diagnóstico”, ressalta o médico.
É importante frisar que quanto mais cedo a alteração é identificada, maiores são as chances de tratamento simples e cura.“O diagnóstico atrasado pode transformar um procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa. A prevenção é sempre mais simples, mais segura e menos custosa do que o tratamento de uma doença avançada”, finaliza o especialista que orienta que a população em geral deve visitar o consultório médico anualmente e as pessoas de risco aumentado a cada seis meses.
Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ortopedia avalia técnica que reconstrói ligamentos sem agredir áreas de crescimento e oferece estabilidade do joelho a pacientes jovens
Um estudo conduzido por especialistas brasileiros em ortopedia projeta novos caminhos para o tratamento da instabilidade patelar em crianças e adolescentes, condição que provoca deslocamentos recorrentes da rótula e afeta mobilidade, autonomia e participação social.
Entre os autores da pesquisa está o ortopedista Dr. Maurício Armede, referência nacional ortopedia e traumatologia e um dos nomes mais atuantes na consolidação de técnicas seguras para pacientes pediátricos.
A investigação, divulgada na Revista Brasileira de Ortopedia, avaliou uma abordagem cirúrgica desenhada especificamente para crianças e jovens ainda em desenvolvimento ósseo, um desafio histórico da ortopedia. O método combina a reconstrução do ligamento patelofemoral medial com o ligamento patelotibial medial, estruturas fundamentais para impedir o deslocamento da patela. A técnica evita perfurações ósseas e reduz o risco de dano às cartilagens de crescimento, responsáveis pelo desenvolvimento do membro ao longo da infância e adolescência.
O procedimento utiliza o tendão semitendíneo como enxerto e é realizado por pequenas incisões com apoio de radioscopia, o que reduz agressões à articulação.
Para o Dr. Maurício Armede, a preservação do crescimento é um pilar ético e técnico no atendimento pediátrico. “O objetivo é estabilizar a patela sem comprometer o crescimento. Essa técnica permite alcançar esse equilíbrio”, explica o ortopedista, que acompanha casos de instabilidade recidivante e observa impactos físicos e emocionais significativos em pacientes jovens.
O estudo monitorou sete pacientes, com idade média de 11 anos e histórico de múltiplos episódios de luxação da patela. Após 12 meses de acompanhamento clínico, nenhum deles apresentou recidiva. A pesquisa registrou melhora na mobilidade, evolução dos escores funcionais internacionais e desaparecimento completo do sinal de apreensão, marcador clássico da instabilidade patelar. O desempenho sugere que estabilizar o joelho em idade escolar pode evitar afastamentos de atividades físicas e reduzir limitações sociais associadas à dor e insegurança na marcha.
Os autores avaliam que a reconstrução combinada dos ligamentos pode se consolidar como alternativa segura e eficiente, inclusive em crianças que apresentam características anatômicas predisponentes.
A equipe reforça que o acompanhamento médico continua indispensável até o término do crescimento ósseo, já que alguns casos podem demandar novas intervenções com o avanço da adolescência.
Ao participar da pesquisa, o Dr. Armede reafirma a contribuição científica brasileira para a ortopedia pediátrica, área em que a oferta de técnicas adaptadas ao crescimento ainda é restrita. O estudo reforça que estabilizar o joelho significa devolver locomoção, segurança, confiança e qualidade de vida, elementos que interferem diretamente na socialização e no desenvolvimento saudável na infância.
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