Protocolo de Broncoaspiração em UTI foi o tema da palestra do Fonoaudiólogo Henrique Porto, na manhã do dia 09 de maio, para equipes de enfermagem do Hospital Espanhol, como parte da programação da Semana da Enfermagem que é realizada no mês de maio, em função de duas datas: 12 – Dia do Enfermeiro e 20 – Dia do Técnico de Enfermagem.
“Este é um tema muito importante para abordagem numa Unidade Hospitalar com o perfil epidemiológico como o do Espanhol que é um Centro de Tratamento para Covid. Tanto pelo lado da idade, já que os pacientes idosos são maioria aqui, e eles são grupo de risco para broncoaspiração;
quanto pelo perfil clínico, porque são pacientes positivos para a Covid, com comprometimento respiratório que pode dificultar a articulação pneumofonoarticulatória, aumentando o risco de broncoaspiração.” – destacou o fonoaudiólogo Henrique Porto, especialista em fonoaudiologia hospitalar.
Cerca de 40 profissionais de enfermagem do HE participaram da palestra que teve momentos de trocas e esclarecimentos.
O Enfermeiro Adson Montes, Gerente Operacional do HE e responsável pelo convite ao fonoaudiólogo, considerou o tema muito válido para a equipe de enfermagem, pela demonstração dos riscos da broncoaspiração e o que pode e deve ser feito para evitar a situação.
O HE tem um Núcleo de Educação Permanente em Saúde que realiza treinamentos mensais sobre diferentes assuntos de assistência hospitalar, promovendo a atualização e reciclagem da sua equipe assistencial.
E o que é broncoaspiração?
Muita gente que não atua na área da saúde, principalmente, pode não saber do que se trata. A broncoaspiração é a entrada de substâncias estranhas, tais como alimentos e saliva, na via respiratória. Isto pode ocorrer pelo enfraquecimento dos músculos usados na deglutição, o que pode causar a dificuldade no ato de engolir, também conhecida como disfagia. Pronto, entendido.
Não somente o paciente idoso pode apresentar esta situação, mas pessoas com comprometimentos motores de diferentes origens e pacientes submetidos à intubação de vias aéreas por muito tempo – como ocorre com frequência no Hospital Espanhol.
O palestrante da Semana no HE, Henrique Porto, comentou: “Muitos pacientes daqui permanecem sob intubação orotraqueal, precisam de traqueostomia, fazem uso de sonda nasogástrica por determinado período, sem oferta de alimentação via oral. Tudo isso agrava a retomada da deglutição, aumentando o risco da broncoaspiração”.
Saadia Rêgo é enfermeira do HE, participou da palestra e a considerou muito boa. “O assunto é fundamental para a enfermagem que cuida dos pacientes na extubação e readaptação da sua rotina alimentar. Além dos idosos que precisam de vigilância durante as refeições. O palestrante tem muito conhecimento teórico e prático o que facilita à explanação. Eu adorei!”
As trocas multidisciplinares embasam e enriquecem os cuidados multidisciplinares, trazendo melhorias para a capacitação das equipes de assistência. E quem ganha com isso, além dos profissionais qualificados? Os pacientes, razão dos serviços de saúde.
O último slide da palestra foi uma imagem do Pequeno Príncipe com a citação do seu autor, Antoine de Saint-Exupéry: “O essencial é invisível aos olhos”. E o palestrante Henrique Porto completou: “a broncoaspiração também!”
Médico dermatologista Dr. Lourenço Azevedo alerta população que diagnóstico atrasado pode transformar procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa da doença
Os recordes históricos das altas temperaturas registradas, no último mês de dezembro, marcaram o início da estação climática mais aguardada pelos brasileiros: o verão. Os registros iniciais confirmam que os termômetros ficarão aquecidos até o até o início do outono, ou seja, período que deve ser mantido o alerta para os cuidados à prevenção do câncer de pele, enfermidade que segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia representa aproximadamente 30% de todos os diagnósticos oncológicos, com mais de 220 mil novos casos anuais.
O uso diário de protetor solar, a reaplicação ao longo do dia, o emprego de barreiras físicas — como chapéus e roupas com proteção ultravioleta — e a evitação da exposição solar entre 10h e 16h seguem sendo medidas essenciais, sobretudo em um período marcado visitação de praias, a utilização de piscinas, a prática de esportes ao ar livre e o lazer sob o sol, quando a incidência dos raios ultravioleta é mais intensa e constante.
De acordo com o médico dermatologista e tricologista. Dr. Lourenço Azevedo (CRM 166292/SP), no Brasil, os registros que indicam câncer de pele apontam para três tipos da enfermidade: Carcinoma basocelular (CBC), Carcinoma espinocelular (CEC) e o Melanoma. O especialista destaca que o CBC é o tipo mais frequente entre os brasileiros e costuma surgir em áreas muito expostas ao sol, como rosto, orelhas e pescoço.
“Trata-se de um câncer que geralmente cresce devagar e tem baixo potencial de metástase, mas pode causar grandes deformidades locais caso não seja tratado a tempo. Muitas vezes aparece como uma “feridinha que não cicatriza”, uma pápula brilhante ou rosada”, destaca. “Já o CEC tem o risco maior de invadir tecidos profundos e, em alguns casos, de se espalhar para linfonodos. Lesões endurecidas, avermelhadas, com crosta ou que sangram com facilidade merecem atenção”, acrescenta.
Em relação ao tipo Melanoma, o médico alerta que é o tumor mais grave da pele, sendo que responde pela maior parte das mortes. “Ele pode aparecer como um novo sinal ou como uma mudança em uma pinta já existente. Assimetria, bordas irregulares, mudança de cor, diâmetro maior que 6 mm e evolução rápida são sinais de alerta. O diagnóstico precoce faz toda a diferença — quando descoberto no início, as taxas de cura são muito altas”, explica o Dr. Lourenço Azevedo.
Embora o sol seja o principal agente causador de um câncer de pele, outros fatores também aumentam o risco. O especialista destaca que é importante ter conhecimento sobre o histórico familiar ao melanoma, cuidados redobrados às pessoas de pele clara, olhos claros, cabelo ruivo ou loiro, que queimam com facilidade, a presença de muitas pintas ou nevos atípicos, entre outros alertas.
“A consulta dermatológica é fundamental, porquê muitos cânceres de pele passam despercebidos pelo paciente nos estágios iniciais, período quando a chance de cura é maior. O dermatologista faz o chamado exame de corpo inteiro, identifica lesões suspeitas, acompanha pintas e orienta medidas preventivas personalizadas. Além disso, pode realizar a dermatoscopia, que aumenta muito a precisão do diagnóstico”, ressalta o médico.
É importante frisar que quanto mais cedo a alteração é identificada, maiores são as chances de tratamento simples e cura.“O diagnóstico atrasado pode transformar um procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa. A prevenção é sempre mais simples, mais segura e menos custosa do que o tratamento de uma doença avançada”, finaliza o especialista que orienta que a população em geral deve visitar o consultório médico anualmente e as pessoas de risco aumentado a cada seis meses.
Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ortopedia avalia técnica que reconstrói ligamentos sem agredir áreas de crescimento e oferece estabilidade do joelho a pacientes jovens
Um estudo conduzido por especialistas brasileiros em ortopedia projeta novos caminhos para o tratamento da instabilidade patelar em crianças e adolescentes, condição que provoca deslocamentos recorrentes da rótula e afeta mobilidade, autonomia e participação social.
Entre os autores da pesquisa está o ortopedista Dr. Maurício Armede, referência nacional ortopedia e traumatologia e um dos nomes mais atuantes na consolidação de técnicas seguras para pacientes pediátricos.
A investigação, divulgada na Revista Brasileira de Ortopedia, avaliou uma abordagem cirúrgica desenhada especificamente para crianças e jovens ainda em desenvolvimento ósseo, um desafio histórico da ortopedia. O método combina a reconstrução do ligamento patelofemoral medial com o ligamento patelotibial medial, estruturas fundamentais para impedir o deslocamento da patela. A técnica evita perfurações ósseas e reduz o risco de dano às cartilagens de crescimento, responsáveis pelo desenvolvimento do membro ao longo da infância e adolescência.
O procedimento utiliza o tendão semitendíneo como enxerto e é realizado por pequenas incisões com apoio de radioscopia, o que reduz agressões à articulação.
Para o Dr. Maurício Armede, a preservação do crescimento é um pilar ético e técnico no atendimento pediátrico. “O objetivo é estabilizar a patela sem comprometer o crescimento. Essa técnica permite alcançar esse equilíbrio”, explica o ortopedista, que acompanha casos de instabilidade recidivante e observa impactos físicos e emocionais significativos em pacientes jovens.
O estudo monitorou sete pacientes, com idade média de 11 anos e histórico de múltiplos episódios de luxação da patela. Após 12 meses de acompanhamento clínico, nenhum deles apresentou recidiva. A pesquisa registrou melhora na mobilidade, evolução dos escores funcionais internacionais e desaparecimento completo do sinal de apreensão, marcador clássico da instabilidade patelar. O desempenho sugere que estabilizar o joelho em idade escolar pode evitar afastamentos de atividades físicas e reduzir limitações sociais associadas à dor e insegurança na marcha.
Os autores avaliam que a reconstrução combinada dos ligamentos pode se consolidar como alternativa segura e eficiente, inclusive em crianças que apresentam características anatômicas predisponentes.
A equipe reforça que o acompanhamento médico continua indispensável até o término do crescimento ósseo, já que alguns casos podem demandar novas intervenções com o avanço da adolescência.
Ao participar da pesquisa, o Dr. Armede reafirma a contribuição científica brasileira para a ortopedia pediátrica, área em que a oferta de técnicas adaptadas ao crescimento ainda é restrita. O estudo reforça que estabilizar o joelho significa devolver locomoção, segurança, confiança e qualidade de vida, elementos que interferem diretamente na socialização e no desenvolvimento saudável na infância.
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