Empresários e especialistas defendem que a sustentabilidade das clínicas passa por uma mudança de mentalidade: gestão eficiente e visão estratégica agora são tão essenciais quanto a formação técnica.
A transformação da medicina nos últimos anos não se limita à adoção de novas tecnologias ou avanços clínicos. Um movimento silencioso, mas decisivo, vem ganhando espaço nos bastidores das clínicas e consultórios: a profissionalização da gestão médica. Cada vez mais, profissionais da saúde e empreendedores têm reconhecido que a eficiência administrativa e a visão estratégica são fatores determinantes para o sucesso e a longevidade das instituições.
Entre os nomes que se destacam nesse cenário está Luciano Mattos, empresário e fundador da Doctor Growth, empresa voltada ao crescimento estratégico de clínicas médicas. Ele defende que o grande desafio do setor hoje é equilibrar tradição e modernidade, sem perder o foco na essência do cuidado humano. “Durante muito tempo, a gestão foi vista como algo distante da prática médica. Mas hoje é impossível manter uma clínica sustentável sem entender de processos, pessoas e finanças”, explica.
Sócio das unidades da Evo Estágios em Juiz de Fora e Três Rios, Luciano acumula experiência em treinamentos de liderança e desenvolvimento humano, como o Dale Carnegie Course, reconhecido internacionalmente por formar gestores com foco em comunicação e desempenho. Ele também participou de programas de inovação e congressos empresariais em São Paulo, ampliando a conexão entre gestão e a realidade prática da saúde.
Para Mattos, a dificuldade de muitos profissionais da área está na ausência de formação empreendedora. “A maioria dos médicos não aprende a gerir. São excelentes tecnicamente, mas enfrentam desafios para administrar pessoas, atender à demanda e manter o equilíbrio financeiro. É aí que a visão empresarial faz diferença — não para transformar o médico em gestor, mas para permitir que ele tenha uma estrutura que o sustente”, analisa.
A reflexão sobre esse novo perfil de profissional também está presente no Precision Talks, primeiro evento de networking médico de Juíz de Fora que Luciano organiza ao lado de Alcione Marocolo. Em sua terceira edição, o encontro reúne médicos e especialistas para discutir o tema “Tradição & Modernidade: a Medicina do Futuro”, com foco na integração entre gerações e na adaptação das práticas clínicas a um cenário de constantes transformações.
Segundo Luciano, a troca de experiências é essencial para fortalecer o setor. “A medicina é uma das profissões mais tradicionais do mundo, mas está passando por mudanças profundas. O que propomos é um espaço de diálogo sobre como inovar sem perder a essência do cuidado”, diz.
O movimento de profissionalização da gestão médica, impulsionado por especialistas como Mattos, aponta para um novo paradigma na saúde: clínicas mais estruturadas, sustentáveis e alinhadas a um modelo de atendimento que valoriza tanto o resultado financeiro quanto o bem-estar do paciente.
Sobre o especialista:
Luciano Mattos é empresário, sócio das unidades da Evo Estágios em Juiz de Fora e Três Rios, e fundador da Doctor Growth, empresa especializada em crescimento estratégico de clínicas médicas. Participou de treinamentos de liderança e inovação, como o Dale Carnegie Course, e atua na promoção de boas práticas de gestão e desenvolvimento humano no setor da saúde.
Médico dermatologista Dr. Lourenço Azevedo alerta população que diagnóstico atrasado pode transformar procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa da doença
Os recordes históricos das altas temperaturas registradas, no último mês de dezembro, marcaram o início da estação climática mais aguardada pelos brasileiros: o verão. Os registros iniciais confirmam que os termômetros ficarão aquecidos até o até o início do outono, ou seja, período que deve ser mantido o alerta para os cuidados à prevenção do câncer de pele, enfermidade que segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia representa aproximadamente 30% de todos os diagnósticos oncológicos, com mais de 220 mil novos casos anuais.
O uso diário de protetor solar, a reaplicação ao longo do dia, o emprego de barreiras físicas — como chapéus e roupas com proteção ultravioleta — e a evitação da exposição solar entre 10h e 16h seguem sendo medidas essenciais, sobretudo em um período marcado visitação de praias, a utilização de piscinas, a prática de esportes ao ar livre e o lazer sob o sol, quando a incidência dos raios ultravioleta é mais intensa e constante.
De acordo com o médico dermatologista e tricologista. Dr. Lourenço Azevedo (CRM 166292/SP), no Brasil, os registros que indicam câncer de pele apontam para três tipos da enfermidade: Carcinoma basocelular (CBC), Carcinoma espinocelular (CEC) e o Melanoma. O especialista destaca que o CBC é o tipo mais frequente entre os brasileiros e costuma surgir em áreas muito expostas ao sol, como rosto, orelhas e pescoço.
“Trata-se de um câncer que geralmente cresce devagar e tem baixo potencial de metástase, mas pode causar grandes deformidades locais caso não seja tratado a tempo. Muitas vezes aparece como uma “feridinha que não cicatriza”, uma pápula brilhante ou rosada”, destaca. “Já o CEC tem o risco maior de invadir tecidos profundos e, em alguns casos, de se espalhar para linfonodos. Lesões endurecidas, avermelhadas, com crosta ou que sangram com facilidade merecem atenção”, acrescenta.
Em relação ao tipo Melanoma, o médico alerta que é o tumor mais grave da pele, sendo que responde pela maior parte das mortes. “Ele pode aparecer como um novo sinal ou como uma mudança em uma pinta já existente. Assimetria, bordas irregulares, mudança de cor, diâmetro maior que 6 mm e evolução rápida são sinais de alerta. O diagnóstico precoce faz toda a diferença — quando descoberto no início, as taxas de cura são muito altas”, explica o Dr. Lourenço Azevedo.
Embora o sol seja o principal agente causador de um câncer de pele, outros fatores também aumentam o risco. O especialista destaca que é importante ter conhecimento sobre o histórico familiar ao melanoma, cuidados redobrados às pessoas de pele clara, olhos claros, cabelo ruivo ou loiro, que queimam com facilidade, a presença de muitas pintas ou nevos atípicos, entre outros alertas.
“A consulta dermatológica é fundamental, porquê muitos cânceres de pele passam despercebidos pelo paciente nos estágios iniciais, período quando a chance de cura é maior. O dermatologista faz o chamado exame de corpo inteiro, identifica lesões suspeitas, acompanha pintas e orienta medidas preventivas personalizadas. Além disso, pode realizar a dermatoscopia, que aumenta muito a precisão do diagnóstico”, ressalta o médico.
É importante frisar que quanto mais cedo a alteração é identificada, maiores são as chances de tratamento simples e cura.“O diagnóstico atrasado pode transformar um procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa. A prevenção é sempre mais simples, mais segura e menos custosa do que o tratamento de uma doença avançada”, finaliza o especialista que orienta que a população em geral deve visitar o consultório médico anualmente e as pessoas de risco aumentado a cada seis meses.
Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ortopedia avalia técnica que reconstrói ligamentos sem agredir áreas de crescimento e oferece estabilidade do joelho a pacientes jovens
Um estudo conduzido por especialistas brasileiros em ortopedia projeta novos caminhos para o tratamento da instabilidade patelar em crianças e adolescentes, condição que provoca deslocamentos recorrentes da rótula e afeta mobilidade, autonomia e participação social.
Entre os autores da pesquisa está o ortopedista Dr. Maurício Armede, referência nacional ortopedia e traumatologia e um dos nomes mais atuantes na consolidação de técnicas seguras para pacientes pediátricos.
A investigação, divulgada na Revista Brasileira de Ortopedia, avaliou uma abordagem cirúrgica desenhada especificamente para crianças e jovens ainda em desenvolvimento ósseo, um desafio histórico da ortopedia. O método combina a reconstrução do ligamento patelofemoral medial com o ligamento patelotibial medial, estruturas fundamentais para impedir o deslocamento da patela. A técnica evita perfurações ósseas e reduz o risco de dano às cartilagens de crescimento, responsáveis pelo desenvolvimento do membro ao longo da infância e adolescência.
O procedimento utiliza o tendão semitendíneo como enxerto e é realizado por pequenas incisões com apoio de radioscopia, o que reduz agressões à articulação.
Para o Dr. Maurício Armede, a preservação do crescimento é um pilar ético e técnico no atendimento pediátrico. “O objetivo é estabilizar a patela sem comprometer o crescimento. Essa técnica permite alcançar esse equilíbrio”, explica o ortopedista, que acompanha casos de instabilidade recidivante e observa impactos físicos e emocionais significativos em pacientes jovens.
O estudo monitorou sete pacientes, com idade média de 11 anos e histórico de múltiplos episódios de luxação da patela. Após 12 meses de acompanhamento clínico, nenhum deles apresentou recidiva. A pesquisa registrou melhora na mobilidade, evolução dos escores funcionais internacionais e desaparecimento completo do sinal de apreensão, marcador clássico da instabilidade patelar. O desempenho sugere que estabilizar o joelho em idade escolar pode evitar afastamentos de atividades físicas e reduzir limitações sociais associadas à dor e insegurança na marcha.
Os autores avaliam que a reconstrução combinada dos ligamentos pode se consolidar como alternativa segura e eficiente, inclusive em crianças que apresentam características anatômicas predisponentes.
A equipe reforça que o acompanhamento médico continua indispensável até o término do crescimento ósseo, já que alguns casos podem demandar novas intervenções com o avanço da adolescência.
Ao participar da pesquisa, o Dr. Armede reafirma a contribuição científica brasileira para a ortopedia pediátrica, área em que a oferta de técnicas adaptadas ao crescimento ainda é restrita. O estudo reforça que estabilizar o joelho significa devolver locomoção, segurança, confiança e qualidade de vida, elementos que interferem diretamente na socialização e no desenvolvimento saudável na infância.
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