Em recente entrevista a cantora Claudia Leite explicou que já na fase adulta, durante a pandemia, descobriu que possuía TDAH.
O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados da Associação Brasileira do Déficit de Atenção (ABDA). E acomete cerca de 3% da população mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), e pode dificultar o processo de aprendizagem de crianças e adolescentes.
À medida que a conscientização sobre o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) continua a crescer, um número crescente de adultos está descobrindo que os desafios que enfrentaram ao longo da vida podem ter uma causa subjacente.
Segundo Dr. Guilherme Rossoni, neurocirurgião, compreender e reconhecer o TDAH na fase adulta é crucial para buscar o apoio e tratamento adequados.
“O TDAH está associado a desequilíbrios nos neurotransmissores do cérebro, como dopamina, norepinefrina e serotonina. Esses neurotransmissores desempenham um papel importante no controle da atenção, foco, motivação e impulsividade. Pesquisas indicam que o TDAH está relacionado a diferenças na atividade e comunicação entre diferentes áreas do cérebro, especialmente aquelas envolvidas no controle executivo, atenção, regulação emocional e motivação.”
A psicanalista Elizandra Souza, compartilhou sua perspectiva sobre a descoberta do TDAH na idade adulta e ofereceu dicas valiosas para identificar os sintomas:
“O TDAH na idade adulta pode muitas vezes passar despercebido, pois os sintomas podem ser confundidos com características de personalidade ou outros transtornos. É importante estar atento aos sinais que podem indicar a presença do TDAH e buscar avaliação profissional caso haja suspeita.”
Atenção dispersa e dificuldade de concentração: “Adultos com TDAH muitas vezes relatam dificuldade em manter o foco em tarefas prolongadas ou se distraem facilmente por estímulos externos. Isso pode afetar significativamente seu desempenho no trabalho, nos estudos e nas relações interpessoais.”
Impulsividade e Tomada de Decisão Rápida: “A impulsividade é outra característica comum do TDAH na idade adulta. Pessoas com TDAH podem agir impulsivamente sem considerar as consequências, o que pode levar a problemas financeiros, relacionais e profissionais.”
Hiperatividade Disfarçada: “Embora a hiperatividade seja mais evidente em crianças com TDAH, em adultos, ela pode se manifestar de forma mais sutil, como inquietação interna ou sensação de estar sempre ocupado, mesmo quando fisicamente parado.”
Organização e Gestão do Tempo: “Adultos com TDAH muitas vezes lutam para organizar suas vidas e gerenciar o tempo de forma eficaz. Eles podem ter dificuldade em cumprir prazos, manter agendas e completar tarefas diárias.”
Histórico Pessoal ou Familiar: “É importante estar ciente do histórico pessoal ou familiar de TDAH, pois isso pode aumentar o risco de desenvolver o transtorno. Se houver antecedentes familiares ou se você identificar sintomas semelhantes em si mesmo, é fundamental buscar avaliação profissional.”
A especialista enfatiza a importância de uma abordagem multidisciplinar para o diagnóstico e tratamento do TDAH na idade adulta, envolvendo profissionais de saúde mental qualificados, como psiquiatras, psicólogos e terapeutas cognitivo-comportamentais. Com o apoio certo, é possível gerenciar eficazmente os sintomas do TDAH e melhorar a qualidade de vida.
Médico dermatologista Dr. Lourenço Azevedo alerta população que diagnóstico atrasado pode transformar procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa da doença
Os recordes históricos das altas temperaturas registradas, no último mês de dezembro, marcaram o início da estação climática mais aguardada pelos brasileiros: o verão. Os registros iniciais confirmam que os termômetros ficarão aquecidos até o até o início do outono, ou seja, período que deve ser mantido o alerta para os cuidados à prevenção do câncer de pele, enfermidade que segundo dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Brasileira de Dermatologia representa aproximadamente 30% de todos os diagnósticos oncológicos, com mais de 220 mil novos casos anuais.
O uso diário de protetor solar, a reaplicação ao longo do dia, o emprego de barreiras físicas — como chapéus e roupas com proteção ultravioleta — e a evitação da exposição solar entre 10h e 16h seguem sendo medidas essenciais, sobretudo em um período marcado visitação de praias, a utilização de piscinas, a prática de esportes ao ar livre e o lazer sob o sol, quando a incidência dos raios ultravioleta é mais intensa e constante.
De acordo com o médico dermatologista e tricologista. Dr. Lourenço Azevedo (CRM 166292/SP), no Brasil, os registros que indicam câncer de pele apontam para três tipos da enfermidade: Carcinoma basocelular (CBC), Carcinoma espinocelular (CEC) e o Melanoma. O especialista destaca que o CBC é o tipo mais frequente entre os brasileiros e costuma surgir em áreas muito expostas ao sol, como rosto, orelhas e pescoço.
“Trata-se de um câncer que geralmente cresce devagar e tem baixo potencial de metástase, mas pode causar grandes deformidades locais caso não seja tratado a tempo. Muitas vezes aparece como uma “feridinha que não cicatriza”, uma pápula brilhante ou rosada”, destaca. “Já o CEC tem o risco maior de invadir tecidos profundos e, em alguns casos, de se espalhar para linfonodos. Lesões endurecidas, avermelhadas, com crosta ou que sangram com facilidade merecem atenção”, acrescenta.
Em relação ao tipo Melanoma, o médico alerta que é o tumor mais grave da pele, sendo que responde pela maior parte das mortes. “Ele pode aparecer como um novo sinal ou como uma mudança em uma pinta já existente. Assimetria, bordas irregulares, mudança de cor, diâmetro maior que 6 mm e evolução rápida são sinais de alerta. O diagnóstico precoce faz toda a diferença — quando descoberto no início, as taxas de cura são muito altas”, explica o Dr. Lourenço Azevedo.
Embora o sol seja o principal agente causador de um câncer de pele, outros fatores também aumentam o risco. O especialista destaca que é importante ter conhecimento sobre o histórico familiar ao melanoma, cuidados redobrados às pessoas de pele clara, olhos claros, cabelo ruivo ou loiro, que queimam com facilidade, a presença de muitas pintas ou nevos atípicos, entre outros alertas.
“A consulta dermatológica é fundamental, porquê muitos cânceres de pele passam despercebidos pelo paciente nos estágios iniciais, período quando a chance de cura é maior. O dermatologista faz o chamado exame de corpo inteiro, identifica lesões suspeitas, acompanha pintas e orienta medidas preventivas personalizadas. Além disso, pode realizar a dermatoscopia, que aumenta muito a precisão do diagnóstico”, ressalta o médico.
É importante frisar que quanto mais cedo a alteração é identificada, maiores são as chances de tratamento simples e cura.“O diagnóstico atrasado pode transformar um procedimento pequeno em uma abordagem mais complexa. A prevenção é sempre mais simples, mais segura e menos custosa do que o tratamento de uma doença avançada”, finaliza o especialista que orienta que a população em geral deve visitar o consultório médico anualmente e as pessoas de risco aumentado a cada seis meses.
Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ortopedia avalia técnica que reconstrói ligamentos sem agredir áreas de crescimento e oferece estabilidade do joelho a pacientes jovens
Um estudo conduzido por especialistas brasileiros em ortopedia projeta novos caminhos para o tratamento da instabilidade patelar em crianças e adolescentes, condição que provoca deslocamentos recorrentes da rótula e afeta mobilidade, autonomia e participação social.
Entre os autores da pesquisa está o ortopedista Dr. Maurício Armede, referência nacional ortopedia e traumatologia e um dos nomes mais atuantes na consolidação de técnicas seguras para pacientes pediátricos.
A investigação, divulgada na Revista Brasileira de Ortopedia, avaliou uma abordagem cirúrgica desenhada especificamente para crianças e jovens ainda em desenvolvimento ósseo, um desafio histórico da ortopedia. O método combina a reconstrução do ligamento patelofemoral medial com o ligamento patelotibial medial, estruturas fundamentais para impedir o deslocamento da patela. A técnica evita perfurações ósseas e reduz o risco de dano às cartilagens de crescimento, responsáveis pelo desenvolvimento do membro ao longo da infância e adolescência.
O procedimento utiliza o tendão semitendíneo como enxerto e é realizado por pequenas incisões com apoio de radioscopia, o que reduz agressões à articulação.
Para o Dr. Maurício Armede, a preservação do crescimento é um pilar ético e técnico no atendimento pediátrico. “O objetivo é estabilizar a patela sem comprometer o crescimento. Essa técnica permite alcançar esse equilíbrio”, explica o ortopedista, que acompanha casos de instabilidade recidivante e observa impactos físicos e emocionais significativos em pacientes jovens.
O estudo monitorou sete pacientes, com idade média de 11 anos e histórico de múltiplos episódios de luxação da patela. Após 12 meses de acompanhamento clínico, nenhum deles apresentou recidiva. A pesquisa registrou melhora na mobilidade, evolução dos escores funcionais internacionais e desaparecimento completo do sinal de apreensão, marcador clássico da instabilidade patelar. O desempenho sugere que estabilizar o joelho em idade escolar pode evitar afastamentos de atividades físicas e reduzir limitações sociais associadas à dor e insegurança na marcha.
Os autores avaliam que a reconstrução combinada dos ligamentos pode se consolidar como alternativa segura e eficiente, inclusive em crianças que apresentam características anatômicas predisponentes.
A equipe reforça que o acompanhamento médico continua indispensável até o término do crescimento ósseo, já que alguns casos podem demandar novas intervenções com o avanço da adolescência.
Ao participar da pesquisa, o Dr. Armede reafirma a contribuição científica brasileira para a ortopedia pediátrica, área em que a oferta de técnicas adaptadas ao crescimento ainda é restrita. O estudo reforça que estabilizar o joelho significa devolver locomoção, segurança, confiança e qualidade de vida, elementos que interferem diretamente na socialização e no desenvolvimento saudável na infância.
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